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As doenças cardiovasculares ocupam o primeiro lugar em mortalidade na população feminina, após a menopausa. Ainda não temos idéia do seu impacto sócio-econômico, embora isto seja objeto de muito estudo, nos dias atuais.
Outro aspecto importante, é de que as cardiopatias nas mulheres guardam particularidades importantes, para seu entendimento, diagnóstico e tratamento.
Houve um grande avanço, na última década, com relação às descobertas nas áreas de fatores de risco, para o desenvolvimento de tais cardiopatias, seu diagnóstico, particularidades no entendimento da doença coronariana (vasos que irrigam o coração) e das válvulas cardíacas (são quatro, assim denominadas: mitral, aórtica, pulmonar e tricúspide), incluindo todo o arsenal hormonal que, ora protege, ora traz malefícios à mulher. O estrogênio, na fase pré-menopausa, garante um efeito protetor cardiovascular. Por outro lado, a hipótese de se aumentar a proteção da mulher na fase pós-menopausa, com reposição hormonal, não foi comprovada pelos estudos, inclusive aumentando a incidência de Câncer de Mama, eventos tromboembólicos (o mais conhecido é a Trombose Venosa com uso de Anticoncepcional) e ainda aumentou o risco de doenças cardiovasculares, paradoxalmente. A reposição isolada de progesterona não comprovou benefícios, nem malefícios.
No mundo atual, é inevitável reconhecer a posição da mulher, como sendo de responsabilidade cada vez maior na área executiva. Inevitável também, é o fato de que estejam mais expostas ao estresse diário, ao menor tempo para realização de exercício físico, até porque também cuidam da família, dentre outras coisas, facilitando o aparecimento da Obesidade. Não há uma relação direta, comprovada cientificamente, de que estes fatores aumentariam a incidência das doenças cardiovasculares, até porque existem outros fatores implicados, que não nos cabe discutir neste texto. Entretanto, o que observamos em nossa realidade? Apesar de mais longeva, mais mulheres morrem, anualmente, de doenças cardiovasculares, do que de outras causas. O impacto de apenas um cromossomo diferente, dentre os 46 outros comuns aos dois sexos, é grande tanto para sua saúde, como para doença.
Quando falamos em doenças cardiovasculares, é importante que se entenda que, não somente o coração é acometido, mas estamos também falando em doenças cerebrovasculares (Ex.: AVC ou AVE - Acidente Vascular Cerebral ou Encefálico, conhecido pelo leigo como "Derrame Cerebral"), Hipertensão Arterial, doenças que acometem as coronárias (Ex.: Angina do Peito e Infarto do Miocárdio), bem como acometimento dos rins e dos vasos arteriais que irrigam o nosso corpo (Ex.: as carótidas, que irrigam o cérebro).
Talvez o mais importante e estudado processo de acometimento do sistema cardiovascular, a ATEROSCLEROSE, que consiste na deposição de gorduras e células inflamatórias nas paredes dos vasos sanguíneos, seja hoje a grande "vedete", para entendermos a interação entre os clássicos fatores de risco presentes na sociedade (Hipertensão Arterial, Diabete Melito, Tabagismo, Dislipidemia - alteração das gorduras, e história familiar de Angina ou Infarto do Miocárdio) e sua capacidade de gerar doença.Por isso, cada vez mais, a importância da prevenção das doenças fica mais evidente e aí se insere o trabalho médico de conscientização.
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