O INTESTINO X DOENÇAS CRÔNICAS
Temos o nosso trato digestivo (boca, esôfago, estômago, intestino delgado e intestino grosso, reto e ânus), como um dos maiores, mais complexo e importante órgão do nosso corpo.
É através dele que nossas células têm acesso aos nutrientes necessários para a nossa sobrevivência. Contudo existe uma seqüência de eventos que precisam ocorrer para que estes nutrientes sejam absorvidos corretamente.
Desde o início da digestão com a mastigação até a formação das fezes, o alimento passa por várias etapas, como pela ação da amilase salivar, pelo ácido gástrico, pelo suco pancreático, e pelos sais biliares, cada qual com suas funções bem definidas até chegar ao intestino grosso. Porém, para que isso ocorra é necessário que toda a mucosa gastrointestinal esteja íntegra e funcionante, uma vez que a secreção de substâncias, a capacidade de se defender e a absorção dependem desta integridade, além de contar com a ajuda das bactérias comuns do intestino.
Quando este equilíbrio é quebrado, inúmeros problemas podem acontecer como, por exemplo, pessoas que tem história de gastrite e fazem uso crônico de “antiácidos”, faz com que diminua a produção do ácido clorídrico, que leva a uma dificuldade para digerir proteínas, provocando uma sensação de plenitude gástrica pós alimentação, eructação, muitos gases, candidíase de repetição, entre outras. Além disso, pode haver uma grande sobrevivência de bactérias alimentares que causam doenças, as quais normalmente são destruídas pelo ácido gástrico, chegando ao intestino começam a competir com as bactérias “amigas”, que são habitantes naturais do intestino e auxiliam a digestão dos alimentos e na produção de certas vitaminas, fazendo com que estas diminuam e aumentem as patogênicas (bactérias alimentares).
Outra situação são aqueles que fazem uso crônico de antiinflamatórios, hormonais ou não, para patologias como artrite, artrose, asma, doença inflamatória intestinal, colites, doença de Crohn, Lúpus eritematoso, entre outros, que inibem a produção das prostaglandinas, a qual é uma das substâncias responsáveis pela inflamação, mas também é a responsável por estimular a produção do muco gástrico. Este faz a proteção do estômago contra a ação do ácido gástrico. Sem tal proteção tem-se origem a queimação gástrica podendo evoluir para gastrite, úlcera até uma hemorragia gástrica. Além destes, pessoas que tem dor de cabeça com freqüência, prisão de ventre, insônia, irritabilidade, depressão, fadiga crônica, entre outras, podem ter como causa estas ou outras alterações gastrointestinais que podem ser corrigidas com a reeducação alimentar e a suplementação dos nutrientes corretos. Tal conduta, na grande maioria das vezes, é o suficiente para reverter ou amenizar muitos dos quadros acima mencionados.
Dr. Iragildo Machado